13/01/2026
A minha palavra a mente no ritual de virada do ano foi “travessia”.
Brinco dessa coisa com as palavras há 10 anos. Longe de ser um modismo.
Na minha cabeça, uma voz em tom cômico ressoava: Qualquer “pinguela que saltar a minha frente esse ano, eu vou atravessar”
Não tem uma lógica ou obrigação de coesão com algo. Da mesma forma que escolho a palavra a liberto de mim. Nas coisas da alma e do coração não cabem muita rigidez.
Mas, de repente, a minha primeira travessia de verdade. 33 km de muita vontade de fazer dar certo e confiança do caminho.
Entrava eu, de coração aberto para aprender tudo que a natureza quisesse me ensinar.
Meu grupo de 04 pessoas e o nosso guia, um anjo chamado Rafael, não teria sido tão incrível se eu tivesse escolhido.
Ver a vida se alinhando com nossos desejos é mesmo mágico!
Pois bem, poderia delongar muitoooo, fazer toda uma análise metafórica da música que o Bil, motorista, deixou na minha cabeça.
Ou falar somente da sensação sinestésica da vida acontecendo… Quando eu fiquei tanto tempo só olhando pra nuvem que sai da montanha ou observando a outra que se desfaz rapidamente com o vento?!
É sempre tão maior que a travessia o que se aprende no caminho.
Afinal, quem se propõe a faze-la tem busca no peito…
Eu soltei essa pros meu grupo e foi bonito saber que o Dudu sanava um trauma de adolescência porque há anos os outros amigos fizeram o caminho e o deixaram pra trás…
Saber que a Camila foi guiada pela carta da Estrela no tarot porque ano passado estava trabalhando em excesso…
Eu, que atravessei com sede de vida real e sai sem nem saber se chegaria ao final me sinto então renovada do que muito me importa…
… em casa na cama, a música do carro Bil, mais uma vez na cabeça chama justamente nesse trecho:
“… Já é hora do corpo vencer amanhã.
Outro dia já vem e a vida se cansa na esquina
Fugindo, fugindo pra outro lugar…”