10/05/2026
A maternidade não me completou. Eu sei que é chocante ler isso.
A verdade é que ela me bagunçou inteirinha.
Ela trouxe à tona medos e traumas que eu nem sabia que tinha. Tem dias em que me sinto sobrecarregada, irritada, culpada… tentando equilibrar o mundo e não conseguindo fazer nada direito.
Mas ao mesmo tempo foi essa mesma bagunça que me apresentou ao amor mais real que já senti.
Hoje olho para os meus filhos e me emociono. Posso dizer de boca cheia: é a minha família! Durante muito tempo achei que talvez eu nunca tivesse uma família só minha. E hoje tenho dois meninos completamente diferentes me chamando de mamãe.
O Zique é intensidade. O Pipo é delicadeza.
Um chegou depois de muita luta. O outro chegou como uma surpresa. E os dois cada um do seu jeito mudaram tudo por aqui.
Fui filha única então ainda estou aprendendo essa dinâmica de dois, essa rotina caótica, esse amor que a gente acha que vai precisar dividir mas que na verdade só se multiplica.
Ao mesmo tempo é bonito ver o Zique descobrir o que é ser irmão, ver o Felipe encontrando o seu lugar no mundo, ver os dois criando vínculo, brigando, rindo e se procurando pela casa.
Com eles descobri a contra gosto que não existe jeito certo. Que eu vou errar, vou perder as estribeiras, vou me cobrar além da conta, vou tentar ser tudo ao mesmo tempo e falhar em quase todas.
Talvez ser mãe seja exatamente isso: continuar tentando.
Mesmo cansada, mesmo imperfeita, mesmo cheia de medos.... simplesmente tentar.
E amar tanto alguém a ponto de fazer o caos finalmente ganhar sentido.
Feliz Dia das Mães para quem tenta, para quem deseja, para quem recomeçou e para quem segue aprendendo todos os dias. Ou seja: para quase todas nós.
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