18/11/2025
Nos dias 11 e 13 de novembro, a Solved esteve na COP30, contribuindo em debates na GreenZone e na TecZone. A convite da SEMAS-PA, apresentamos uma solução para ampliar a rastreabilidade do dano climático associado ao desmatamento no Pará, antecipando a arquitetura do SIMAVEG. Também compartilhamos o MinerIA, nossa plataforma de IA para monitoramento do garimpo e dos processos minerários em todo o país, na programação do PCT Guamá.
No dia 13, convidados pela AEB e pelo MCTI, discutimos como ampliar o uso de tecnologia espacial nas políticas públicas, especialmente nos municípios, onde os impactos ambientais realmente acontecem. O consenso foi claro: o Brasil precisa de uma orquestra institucional entre poder público, fundos de investimento e empresas inovadoras para levar tecnologia ao território.
Mas há um ponto que quase nunca aparece nessas conversas: a fragilidade da carreira científ**a no Brasil.
São os cientistas, pesquisadores e analistas que desenvolvem as tecnologias capazes de monitorar florestas, rastrear o garimpo, estimar perdas climáticas e planejar o futuro do país. Mas, enquanto cobramos inovação, oferecemos a quem a produz um caminho marcado pelo arrocho financeiro.
A trajetória é conhecida: iniciação científ**a com cerca de R$ 700 por até 12 meses. Depois, mestrado por 24 meses com cerca de R$ 2.100. Em seguida, doutorado por 48 meses recebendo em torno de R$ 3.100 — quando o pesquisador já está entre os 30 e 32 anos, produzindo parte das soluções tecnológicas que o país exige.
Nessa fase, muitos já sustentam famílias, pagam aluguel, transporte, alimentação, escola, saúde e tentam construir algum futuro. A conta não fecha. E assim, perdemos mentes brilhantes para outras atividades: motoristas de aplicativo, telemarketing, vendas, corretagem de imóveis. Não por falta de talento. Mas por falta de condições materiais mínimas para permanecer na ciência.
Então, precisamos perguntar — com a honestidade que o tema exige:
Que futuro espera um país que remunera sua inteligência científ**a com R$ 700, R$ 2.100 e R$ 3.100 nos anos mais produtivos da vida de um pesquisador? Não basta que falemos de ciência, é preciso garantir que existam cientistas.