Dome Semedo

Dome Semedo ✍🏽 Dome A. Semedo📷
Fotojornalista | Escritor | Cineasta
🏆 Duplo Prémio Nacional de Jornalismo (2024 · 2025)
Escrevo para despertar.

Fotografo para não deixar esquecer.

27/08/2026

O Silêncio

Num estúdio de gravação, o silêncio pode signif**ar produtividade, concentração, preparação. O ruído pode ser uma invasão. Há momentos em que o silêncio é necessário para que alguma coisa possa nascer.

Mas nem todo silêncio é desejado.

Há silêncios que perturbam. Há silêncios que assombram. Há silêncios que anunciam o fim de um relacionamento. E há aquele silêncio que chega quando alguém parte para sempre.

“Perdi-te meu irmão, mas estarás sempre do meu lado. Depois de tudo que aprendi quero viver um dia de cada vez como se fosse na véspera do adeus.”

“Foi Assim”, uma música do Tabanka Djaz, que tantas vezes ouvimos palavras que talvez não soubéssemos que um dia teriam outro signif**ado para nós.

Existem músicas que retratam acontecimentos que iremos viver. Mas, por não sabermos quando, limitamo-nos a ouvi-las, cantá-las e dançá-las.

Até ao dia em que a vida nos obriga a escutá-las de outra maneira.

Quando perdi o meu irmão Yuri Py, senti um vazio enorme. Mas só depois percebi que a sua partida não afectaria apenas aquilo que eu sentia. Afectaria também aquilo que eu fazia.

Durante muito tempo não soube como avançar.

Fiquei parado em lugares onde antes existia movimento. Algumas coisas perderam o sentido. Outras simplesmente deixaram de acontecer. Continuei a acreditar que o tempo seria um bom remédio, que os dias passariam e, com eles, a dor diminuiria.

Deixei o tempo passar.

Mas o tempo não apagou a ausência.

Ensinou-me, aos poucos, a conviver com ela.

Hoje estou a recompor-me. Não de uma vez, não completamente, mas aos poucos. E talvez esta crónica seja uma das provas disso.

Voltar a escrever sobre o Yuri é, para mim, uma forma de voltar a caminhar.

Eu queria muito que ele alcançasse os seus sonhos. Por isso tornei-me instrumento para que alguns deles ganhassem forma. Produzi os seus videoclipes, ajudei a transformar músicas em imagens e coloquei o meu trabalho ao serviço daquilo que ele queria construir.

Hoje já consigo assistir aos videoclipes dele.

E isso signif**a muito.

Há orgulho, há saudade, há dor, mas também há gratidão.

Gratidão por ter vivido aqueles momentos. Gratidão por ter podido contribuir para o sonho do meu irmão. Gratidão porque, através do meu trabalho, algumas imagens dele continuam vivas.

Quando vejo aqueles vídeos, posso dizer:

“Estarás sempre do meu lado.”

A minha mãe continua a carregar uma dor profunda. E seria difícil esperar outra coisa. O Yuri viveu trinta e cinco anos ao lado dela. Foram trinta e cinco anos de convivência, de amor, de preocupações, de conversas, de sentimentos que só uma mãe e um filho conseguem compreender.

O amor de uma mãe não se explica, não se mede e não se questiona. Apenas se sente.

Por isso, quando alguém parte, a perda nunca f**a apenas com quem morreu. Ela espalha-se por todos os que f**aram.

Cada um aprende a sofrer de uma maneira.

Eu aprendi em silêncio.

E talvez tenha sido nesse silêncio que percebi que o fim da vida não precisa de ser o fim de uma história.

O legado do Yuri talvez não seja uma família ou filhos. Talvez seja aquilo que deixou dentro de nós. As músicas, os vídeos, as lembranças, as conversas, os momentos e a forma como a sua existência tocou a nossa.

Enquanto alguém se lembrar, uma parte da pessoa continua presente.

É por isso que acredito que a morte não tem a última palavra.

Existe uma esperança que não vem de nós, mas de Deus.

“Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos, e não haverá mais morte, nem haverá mais tristeza, nem choro, nem dor.” - Apocalipse 21:4.

É nessa promessa que encontro forças para continuar.

O maior desafio continua a ser o tempo.

O tempo da espera.

Durante muito tempo pensei que o tempo iria curar tudo. Hoje penso diferente. Talvez o tempo não cure todas as feridas. Talvez nos ensine a viver com algumas delas sem permitir que nos impeçam de continuar.

Não posso acelerar o tempo.

Não posso voltar atrás.

Não posso trazer o Yuri de volta.

Mas posso continuar.

Posso voltar a criar.

Posso voltar a escrever.

Posso voltar a viver.

Um dia de cada vez.

Como se fosse na véspera do adeus.

Talvez essa seja uma das maiores lições que a partida do Yuri me deixou. Não sabemos quando será a última conversa, o último abraço, a última fotografia, o último trabalho feito juntos ou simplesmente o último dia em que teremos alguém ao nosso lado.

Por isso, enquanto temos tempo, devemos viver.

Devemos amar.

Devemos perdoar.

Devemos dizer o que precisa de ser dito.

E devemos realizar aquilo que ainda podemos realizar.

Hoje, quando escrevo esta crónica, percebo que alguma coisa dentro de mim voltou a mexer-se.

Ainda existe silêncio. Ainda existe saudade.

Ainda existe um lugar vazio. Mas já consigo criar dentro dele.

Talvez recompor-se seja exactamente isso, aprender a construir novamente sem negar aquilo que perdemos.

O Yuri partiu, mas deixou marcas que o tempo não conseguiu apagar.

E eu continuo aqui, a aprender a viver com a sua ausência, a transformar a saudade em memória e a memória em legado.

Enquanto espero pelo tempo de Deus, faço aquilo que posso fazer.

Vivo.

Um dia de cada vez.

Até breve, Yuri Pladur.

Dome Semedo®

A Arte Conhece-me BemCelebramos hoje o dia Internacional da FotografiaA fotografia carrega-me ao colo desde o berço.Aind...
19/08/2026

A Arte Conhece-me Bem

Celebramos hoje o dia Internacional da Fotografia

A fotografia carrega-me ao colo desde o berço.

Ainda menino, minha mãe, Josefa Sales, fazia questão de levar-nos, uma vez por ano, à Foto Carmona para sermos fotografados. Naquele tempo eu não compreendia a importância daquele ritual. Para mim, era apenas mais uma coisa que os adultos insistiam em fazer.

Hoje, olhando para trás, percebo que minha mãe estava, sem saber, a lançar uma semente que muitos anos depois haveria de brotar.

Hoje sou profundamente grato.

A fotografia entrou na minha vida antes de eu compreender que ela poderia tornar-se parte da minha própria identidade. A semente lançada nos anos oitenta começou a brotar em 2002. O que eu não sabia era que, muitos anos depois, aquela pequena semente haveria de transformar-se numa árvore com frutos para mim, para outras pessoas e, de alguma maneira, para o meu país.

Comecei a escrever ainda na infância. A escrita e a fotografia foram crescendo comigo, acompanhando as diferentes fases da minha vida e ajudando a moldar o homem que sou hoje.

Mas nenhum percurso digno desse nome é feito apenas de aplausos.

Houve tristeza, amargura, decepções, portas que não se abriram, momentos em que desistir parecia mais fácil do que continuar. Houve dias em que a pressão para abandonar os sonhos parecia maior do que a força para persegui-los. Ainda assim, havia dentro de mim qualquer coisa que insistia em permanecer.

Era a arte.

A arte conhecia-me bem.

Conhecia as minhas inquietações, os meus sonhos, as minhas quedas e aquela vontade quase teimosa de continuar. Talvez por isso eu nunca tenha conseguido abandoná-la completamente.

Através da fotografia formei-me e formei.

Fotografei centenas de casamentos, histórias de amor, famílias, celebrações e momentos que nunca mais voltariam a acontecer da mesma maneira.

Entre tantos trabalhos, guardo com particular signif**ado o privilégio de reportar os vinte e cinco anos de casamento do casal presidencial Ana e João Lourenço, além de outros acontecimentos envolvendo aquela prestigiada família.

Mas fotografar pessoas ensinou-me também a compreender pessoas.

A fotografia deu-me uma profissão, mas deu-me igualmente uma forma de observar o mundo.

Mais tarde, a mesma arte levou-me para outra sala, onde deixei de estar apenas atrás da câmara para passar também a estar diante de pessoas que queriam aprender.

O INEFOP chamou-me. Coloquei-me à disposição.
A honra foi minha.

Ensinar centenas de angolanos através da fotografia obrigou-me a perceber uma coisa fundamental, quem ensina também aprende. O INEFOP deu-me técnicas de ensino que provavelmente nunca teria aprendido sozinho. Ali descobri que transmitir conhecimento exige responsabilidade, paciência e capacidade de compreender que cada aluno possui uma velocidade diferente para aprender.

Sou filho daquela casa, com muito orgulho.

Depois veio o livro.
Escrevi e publiquei um livro sobre fotografia, talvez mais do que um livro, um manual para aqueles que amam esta arte e querem transformar paixão em conhecimento. Escrever obrigou-me a organizar aquilo que durante anos fui acumulando através da experiência.

A vida não pára quando termina uma obra.
A vida só pára quando chega ao fim. Depois do fim, permanece aquilo que fomos capazes de deixar nos outros.

O legado.

E talvez seja por isso que continuo a escrever, fotografar, ensinar e aprender.

A minha paixão por Angola também é difícil de explicar. É brutal.

Quando as paisagens do meu país chamam por mim, tenho dificuldade em recusar. Foi dessa inquietação que nasceu “O Meu Recanto”, uma iniciativa que me permitiu transformar lugares em memórias e memórias em imagens.

Vieram mais de doze exposições fotográf**as. Houve exposições em catamaran, em universidades de Luanda, em diferentes espaços culturais e em lugares onde talvez, anos antes, eu nem imaginasse que uma fotografia minha pudesse estar exposta.

Até o grande Hotel InterContinental me emprestou algumas das suas estrelas para que pudéssemos brilhar juntos.

Porque os sonhos, quando encontram trabalho, deixam de ser apenas sonhos.

“Sonhos São Sempre Sonhos até os Tornares Reais”, escreveu Arantes Orlando Kavulamine.
Eu acredito nisso.

Era possível escrever mais. Fotografar mais. Fotografar melhor. Mas talento sem estrutura pode passar a vida inteira a bater à porta.

Foi então que chegou a vez da Edições Novembro entrar na minha história.

A instituição deu espaço a muitas das coisas que eu carregava por dentro. O IMETRO havia lançado bases importantes na minha formação em 2013, mas foi através do jornalismo que comecei a compreender de outra maneira o poder da imagem, da palavra, da informação e da responsabilidade de contar aquilo que acontece à nossa volta.

Na Edições Novembro conheci pessoas maravilhosas. Pessoas que sabem acolher, ensinar, amparar e orientar. Pessoas que, de uma forma ou de outra, também deixaram marcas no meu percurso.

O jornalismo é uma espécie de universidade sem paredes.
É uma plataforma de conhecimento.

Aprendemos quase tudo porque somos constantemente obrigados a olhar para quase tudo. O jornalismo amplia aquilo que carregamos por dentro. Dá-nos perguntas, coloca-nos diante de realidades diferentes e ensina-nos que cada história pode esconder uma outra história.

É também uma plataforma de possibilidades.
Cada um é livre de acreditar.

Eu acredito.

Acredito no meu país. Acredito na capacidade dos angolanos. Acredito naqueles que trabalham com sinceridade, naqueles que servem o povo sem precisar de diminuir ninguém para crescer.

O jornalismo da Edições Novembro ensinou-me uma das lições mais bonitas que carrego, conquistar sem rebaixar.

Andar sem ocultar ninguém.

Porque ser grande não signif**a fazer sombra aos outros.

Se um pode brilhar, outros também podem.

Cada um à sua maneira.

Em Angola fui reconhecido duas vezes como Fotojornalista do Ano. Mais tarde, fui reconhecido como Fotojornalista da SADC. São distinções que guardo com enorme gratidão. São importantes. São valiosas. Representam anos de trabalho, disciplina, foco, consistência e sacrifício.

Mas nenhum troféu conseguiu ocupar o lugar dos ensinamentos que recebi de Jeová Deus.

Porque quanto mais alto alguém chega, maior deve ser a sua capacidade de permanecer humilde.

A humildade está acima de qualquer troféu.

Quando olho para trás e vejo os desafios, as lágrimas, as dores, as portas fechadas, as dúvidas e tudo aquilo que precisei atravessar para chegar até aqui, uma palavra continua a fazer sentido:

Valeu a pena.

A dor ensina-nos a reconhecer o valor da felicidade.

É na guerra que aprendemos o verdadeiro signif**ado da paz e, sobretudo, a necessidade de preservá-la.

Sabe bem demais ser reconhecido no próprio país.

É difícil.

Muito difícil.

Mas não é impossível.

Talvez a maior vitória não esteja no momento em que alguém pronuncia o nosso nome diante de uma plateia. Talvez esteja no momento silencioso em que percebemos que aquilo que fizemos ajudou alguém a acreditar que também podia fazer.

É aí que a arte deixa de ser apenas nossa.

Torna-se de todos.

Hoje, quando olho para trás, percebo que a fotografia não foi apenas uma profissão. A escrita não foi apenas uma paixão. O ensino não foi apenas uma actividade. O jornalismo não foi apenas um emprego.

Tudo se cruzou.

Tudo se completou.

Tudo me trouxe até aqui.

A arte conhecia-me antes de eu saber quem era.

Minha mãe lançou a primeira semente. A vida tratou de regá-la. As dificuldades fortaleceram as raízes. As pessoas acrescentaram conhecimento. O trabalho fez crescer os ramos. Os reconhecimentos trouxeram frutos, mas a humildade ensinou-me que nenhuma árvore deve esquecer a terra onde nasceu.

Por isso continuo.

Quero continuar a viver uma vida de comprometimento, ser inspirado e inspirar, aprender e ensinar, fotografar e escrever, construir sem destruir e crescer sem impedir o crescimento dos outros.
Sou grato.

Porque, no fundo, talvez esta seja a maior fotografia que podemos deixar de nós mesmos.

Não aquela que f**a num arquivo.

Mas aquela que permanece na memória de quem cruzou o nosso caminho.

E se um dia alguém perguntar o que ficou de tudo isto, talvez a resposta seja simples:

Ficou Angola.

Ficaram pessoas.

Ficaram histórias.

Ficaram imagens.

Ficaram palavras.

Ficou o exemplo.

E, acima de tudo, ficou a certeza de que, em tudo isto, Angola venceu e deve ser sempre Angola a vencer.

Isso não é fazer política.

É ser cidadão.

aiii a vida mamã

Dome Semedo®
Fotojornalista premiado. Formador. Cronista. Autor.

Contando Angola através da imagem e da palavra

K7Seven Our VoiceApresentaQuando o Não é a Chave…Primeiro episódioQuem ama expõe-se, arrisca-se, entrega partes de si qu...
27/05/2026

K7Seven Our Voice

Apresenta
Quando o Não é a Chave…

Primeiro episódio

Quem ama expõe-se, arrisca-se, entrega partes de si que talvez jamais recuperará por inteiro.

Quando o amor é rejeitado, não signif**a necessariamente que ele era falso ou fraco.

Muitas vezes, signif**a apenas que chegou a um coração que não podia, não sabia ou não queria recebê-lo.

Que o desabafo que se segue, dividido em nove episódios, nos recorde de algo essencial, o amor sempre vence.

Vídeo completo no YouTube👇🏿👇🏿👇🏿
https://youtu.be/MeBpkPKBqEM?si=1lfxVb8v8ObvILun

aiiii a vida mamã
K7Seven Our Voice

Quando o *"Não" é a Chave para uma Porta Maior*O desabafo que deixou-me com lágrimas 😭 nos olhos 👀!!! Fez-me reflectir p...
26/05/2026

Quando o *"Não" é a Chave para uma Porta Maior*

O desabafo que deixou-me com lágrimas 😭 nos olhos 👀!!!

Fez-me reflectir profundamente sobre a vida, sobre o amor e as lutas que cada um de nós enfrenta no silêncio!!!

Tu não vais conseguir superar isso depois de ouvires!!!

É pesado demais!!!!

*Sabe aquela história que a gente guarda no peito, mas que um dia precisa ser contada?* *É exactamente essa que te vou contar.*

“Por três anos, namorei uma jovem…”

*O que fazer quando o amor é rejeitado?*

“Três anos de cumplicidade, de planos… de silêncio” 🔇

🎥 - Assista se conseguires chegar até ao final sem deixar cair lágrimas 😭

*Partilhe*, muita gente precisa ouvir 👂🏾 isto é de matar!!!

Imagina algo assim consigo!!! O que farias?

aiiii a vida mamã!!!

https://youtu.be/MeBpkPKBqEM?si=1lfxVb8v8ObvILun

Clique no link 🔗 acima!!! 👆🏿

*aiiii a vida mamã*
K7Seven Our VoiceArantes O Kavulamine

25/05/2026

K7Seven Our Voice

Quanto maior for o sonho, maiores serão os desafios. E quando decidimos enfrentar os medos, aumentam também as possibilidades de triunfo.

Sonhos grandes não transformam apenas quem os sonha, impactam vidas, abrem caminhos e beneficiam outras pessoas.

Quando os nossos sonhos são pequenos, ou excessivamente tímidos, o crescimento torna-se limitado. Sonhar abaixo das nossas capacidades pode comprometer a missão que carregamos e tornar injustificável a nossa própria passagem pela vida.

Algo de nós precisa permanecer. Porque a construção do que f**ará depois da nossa partida começa agora.

Vídeo completo no YouTube👇🏿👇🏿👇🏿
https://youtu.be/ZE-19eXZIig?si=LEh5C_aQTxL06Sjw

*aiiii a vida mamã*
K7Seven Our Voice

Herdeiros sem herançaÁfrica é reconhecida como o berço da humanidade e uma das mais antigas referências civilizacionais ...
25/05/2026

Herdeiros sem herança

África é reconhecida como o berço da humanidade e uma das mais antigas referências civilizacionais da história. As suas raízes não são apenas históricas, são culturais, espirituais e profundamente estruturantes para a compreensão do mundo.

Durante o período da quarentena, a Dra. Miriam Nzinga organizou uma conferência online dedicada à cultura africana e à sua complexidade. O tema era claro, África e a sua ancestralidade. Reuniram-se pensadores de diferentes geografias num debate que, sem recorrer à acusação directa, inevitavelmente convocava uma reflexão sobre responsabilidade histórica e continuidade cultural.

A questão impunha-se de forma simples e exigente, até que ponto a África contemporânea reflecte o legado que herdou?

A organização foi rigorosa e a expectativa elevada. Ainda assim, os resultados ultrapassaram o previsto, sobretudo pela profundidade das intervenções e diversidade de perspectivas apresentadas.

Coube-me a responsabilidade técnica, assegurar a transmissão, o som e a edição final. Um processo exigente, não apenas pela dimensão da audiência, mas pela sensibilidade do tema.

Falar de África continua a ser um exercício complexo. Em muitos contextos, em vez de gerar consenso, expõe divergências entre africanos dentro e fora do continente.

O mosaico africano é vasto e multifacetado. Nele coexistem dimensões espirituais, culturais, linguísticas e sociais que deveriam fortalecer o sentimento de pertença. No entanto, essa ligação encontra-se, em muitos casos, fragilizada.

Há um paradoxo evidente, muitos africanos são herdeiros de uma herança rica e estruturante, mas vivem afastados da consciência do que possuem.

África desempenhou um papel central no desenvolvimento de vários conhecimentos humanos ao longo da história. Reconhecer essa contribuição não é exaltação, é reposicionamento histórico.

A capacidade de adaptação do africano é amplamente reconhecida. Em diferentes contextos, integra-se, aprende e evolui com rapidez. Essa característica não é apenas física ou ambiental, é também cognitiva e cultural.

O preconceito racial, em diversas sociedades, funciona como mecanismo de limitação simbólica. Ainda assim, não impede que muitos africanos se destaquem e afirmem o seu valor em múltiplos domínios.

Quando isso acontece, surgem frequentemente processos subtis de assimilação cultural, tentativas silenciosas de deslocar identidades e enfraquecer referências de origem.

Apesar disso, a ligação à terra continua a possuir um valor simbólico profundo. É nesse vínculo que muitos reencontram sentido e pertença.

Paralelamente, instalou-se um fenómeno silencioso, a valorização do exterior em detrimento da própria origem. Nesse processo, perdem-se referências, memórias e até formas de pensar.

Ainda assim, africanos continuam a destacar-se globalmente, demonstrando resiliência, competência e capacidade de superação.

A questão permanece, o que falta consolidar?

Entre vários factores, destaca-se a necessidade de aprofundar o estudo da antropologia africana, fortalecer sistemas de ensino contextualizados e cultivar o orgulho identitário de forma consciente e equilibrada.

África possui expressões culturais próprias, música, dança, sistemas de crença e organização social. Ao longo do tempo, parte dessas expressões foi sendo substituída ou secundarizada por influências externas, nem sempre integradas de forma crítica.

Esse processo não representa apenas mudança, em certos casos representa descontinuidade cultural.

Durante décadas consolidaram-se narrativas que associavam África a desorganização, conflito e atraso. No entanto, análises mais recentes apontam para realidades mais complexas, onde factores históricos, políticos e económicos externos também desempenham papéis determinantes.

O contraste permanece evidente, África contribui signif**ativamente para o sistema global, seja em recursos, cultura ou capital humano, mas enfrenta dificuldades na consolidação interna desses benefícios.

No filme no filme Thor: Ragnarok,, uma personagem recupera a sua força ao regressar ao território de origem. A analogia, embora ficcional, sugere a importância da reconexão com a base identitária.

De forma semelhante, muitos africanos, ao afastarem-se do continente, relatam transformações na forma como percebem a própria identidade. Língua, hábitos e referências culturais sofrem alterações que, por vezes, geram distanciamento interno.

Ainda assim, elementos como a música continuam a funcionar como instrumentos poderosos de reconexão. Ritmos africanos despertam memórias, pertença e reconhecimento, mesmo em geografias distantes.

Esse fenómeno ajuda a explicar o movimento de retorno às origens observado em diferentes comunidades afrodescendentes.

África é um continente de diversidade climática, cultural e social. Apesar dessa pluralidade, existe um traço amplamente reconhecido, a hospitalidade.

A capacidade de acolher continua a ser uma das características mais consistentes das sociedades africanas.

As estruturas familiares e conjugais tradicionais também reflectem essa complexidade. Em muitos contextos, o casamento ultrapassa a dimensão individual, assumindo carácter comunitário, cultural e espiritual.

Historicamente existiam mecanismos de mediação e resolução de conflitos conduzidos por estruturas familiares e lideranças locais. O objectivo era preservar a união e garantir continuidade social.

Com o tempo, modelos externos foram sendo incorporados, alterando dinâmicas e, em alguns casos, fragilizando essas estruturas.

Hoje observa-se uma coexistência de paradigmas entre o tradicional e o contemporâneo, nem sempre em equilíbrio.

Produções como Shaka Zulu ajudam a ilustrar práticas e sistemas sociais tradicionais, permitindo uma leitura mais contextualizada da organização africana em diferentes períodos.

A questão que se coloca é estratégica, como preservar a essência sem bloquear a evolução?

Uma das respostas passa pela integração consciente da história, cultura e pensamento africano nos sistemas de ensino, desde os níveis iniciais até ao ensino superior.

A ideia não é rejeitar o exterior, mas evitar a substituição acrítica do que é próprio.

Narrativas contemporâneas, como a apresentada no filme Black Panther, demonstram que é possível conciliar modernidade com identidade, tradição com inovação.

Paradoxalmente, grande parte do conhecimento académico sobre África é hoje produzido fora do continente. Em muitos contextos africanos, esse mesmo conhecimento ainda enfrenta resistência ou desvalorização.

Esse desalinhamento revela uma ferida silenciosa, África continua a ser estudada por fora enquanto muitos dos seus filhos desaprendem a vê-la por dentro.

África não precisa de ser reinventada. Precisa de ser compreendida, valorizada e vivida, primeiro pelos seus próprios filhos.

Porque um continente só deixa de parecer distante quando os seus descendentes voltam a reconhecê-lo dentro de si.

África não está perdida no tempo, está afastada da consciência de muitos dos seus herdeiros.

E enquanto essa reconexão não acontecer, persistirá a sensação de deslocamento, mesmo em contextos de sucesso.

O regresso não é necessariamente geográfico, é, antes de tudo, um exercício de consciência.

Porque no momento em que África for plenamente reconhecida por dentro, deixará de ser necessário explicá-la ao mundo.

África não se descobre, reconhece-se.

aiii a vida mamã
Dome Semedo®

IMAGEM: DR

23/05/2026

K7Seven Our Voice

Cada um de nós carrega um vencedor dentro de si.

Existe também uma grandeza silenciosa, oculta até ao despertar da consciência. Porém, antes de alcançarmos essa versão mais elevada de nós mesmos, há sempre uma batalha interna e externa por enfrentar.

Muitas vezes, pela inocência ou insegurança, acabamos por nos curvar aos nossos próprios medos, ao ponto de rejeitarmos a nossa própria grandeza. E, em certos casos, até pessoas próximas, inclusive membros da família, podem usar da proximidade para tentar nos vergar.

Mas quando decidimos enfrentar os medos, quer os internos, quer os externos, algo fenomenal acontece. O medo deixa de ser prisão e transforma-se em ferramenta, numa espécie de chave mestra.

A partir daí, a nossa postura muda, a visão amadurece e tudo aquilo que tocamos passa a carregar mais propósito, consciência e possibilidades de prosperar.

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*aiiii a vida mamã*
K7Seven Our Voice

22/05/2026

K7Seven Our Voice

A dor será sempre dor. Não importa a profundidade da ferida, continuará a ser algo difícil de suportar. Ainda assim, teremos de enfrentá-la.

Não existe mestre mais rigoroso do que a dor. É ela que molda, ensina e endurece quem decide tornar-se forte. E toda força cobra um preço alto.

Todos os que acreditam na vitória carregam um obstáculo por ultrapassar. E quase sempre esse caminho traz consigo um companheiro inevitável, a dor.

Por isso, não basta apenas sonhar com a vitória. É preciso enfrentar o medo, suportar os golpes da caminhada e vencer aquilo que parecia maior do que nós.

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20/04/2026

"O Expurgo e o Expediente: Como Eminem (e 2Pac) Transformaram Disciplina em Sobrevivência"

Entre a criatividade e a morte ergue-se a disciplina.

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16/04/2026

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"O Expurgo e o Expediente: Como Eminem (e 2Pac) Transformaram Disciplina em Sobrevivência"

Eminem quebrou isso. Ele percebeu que não adianta fazer a música mais fod@ do mundo se tu morreres antes de ver a sua filha crescer.

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