02/12/2025
Dia do Samba
Hoje o peito até parece maior. Bate diferente.
Porque falar do samba é falar de um amor que me atravessa inteira não só como fotógrafa, mas como pessoa que respira essa cultura que nasceu das raízes africanas, da resistência, da fé e da beleza que o povo negro plantou neste país.
Fotografar o samba e o carnaval é mais que trabalho. É um privilégio. É entrar em contato com algo que pulsa profundo, que arrepia, que me devolve sempre para o meu lugar de encantamento. É estar diante de ícones que carregam história no olhar, no gesto, no canto e ter a honra de registrar tudo isso com respeito e devoção.
E o samba, além de tudo, foi também o lugar onde fiz muitos amigos. Amigos de alma leve, de sorriso aberto, amigos que vibram no mesmo compasso. Porque quem vive o samba entende: ele não só une, ele cria família.
O samba tem essa magia: vai do simples ao luxuoso com a mesma força. Está na roda, na palma da mão, no brilho do olhar e também no luxo majestoso que desfila na Sapucaí, onde cada detalhe revela uma ancestralidade viva, luminosa, que nunca se apaga. E eu, ali, no meio da avenida, sinto meu coração expandir como se a própria bateria marcasse meu compasso.
Porque quando um samba é bem cantado, quando uma bateria acerta aquele giro perfeito, algo inexplicável acontece dentro de mim. É emoção que não cabe em palavras, mas que encontro um jeito de guardar na fotografia para que cada clique seja também um agradecimento.
Hoje, no Dia do Samba, celebro essa cultura que me move, me inspira e me ensina. Celebro os mestres, as baianas, os ritmistas, os passistas, os compositores, os foliões. Celebro quem faz do samba um espelho da alma brasileira.
E celebro, sobretudo, a alegria imensa de poder eternizar tudo isso com o coração em festa, o olhar cheio de luz e rodeada de amizades que o samba me deu.