Juliana Pereira

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Juliana Pereira Anthropologist | Photographer & Filmmaker

26/07/2025

During my journey in Peru, already almost half year pasted, I had the privilege to volunteer in an eco lodge for a couple of weeks deep in the jungle in the Amazon Rainforest, in the village of San Martin, reachable only by boat, four hours away from Iquitos, the biggest and more populous city in the Peruvian Amazon. It was probably the most immersive experience I've ever had in nature, since I've never been in a place so remote, I mean, so far from other humans, apart maybe some places I passed by while travelling in Australia, ten years gone. My immersion in the Amazon rainforest will always be remembered as intense, hostile even, I can say. I'm not just talking about the unstopable mosquito bites that can drive you crazy, even because you start dealing with the itch and the pain after a while, or putting it in another words, you surrender and you just accept that nature is more powerful. I also experienced intense nightmares and some emotional struggling. Manuel, the volunteering coordinator, told me that the forest was messing with my mind, pulling some hiden feelings, worries, that I am keeping for some reason and need to release. Maybe he was right. Manuel is italian and he is working in the lodge for several years. Since then he never went back. He told me that the forest embraced him.
🇵🇪

Revisitando algumas fotos de uma viagem em Yucatán, México, alguns anos atrás. Faz  tempo que não escrevo nem partilho n...
25/06/2025

Revisitando algumas fotos de uma viagem em Yucatán, México, alguns anos atrás. Faz tempo que não escrevo nem partilho notas mais pessoais. Também não tenho sido consistente nas redes sociais. Sou desconectada por natureza, mas enfrentei alguns problemas técnicos durante a minha jornada pela América do Sul. Primeiro, o carregador do meu computador não estava a funcionar e, mais tarde, o ecrã do meu telemóvel partiu-se (apenas um dia antes da minha viagem à Amazónia peruana, onde fiz trabalho voluntário por algumas semanas num alojamento ecológico com eletricidade e internet limitadas), por isso não consegui transferir as minhas fotos e vídeos para o computador ou telemóvel. Embora eu tivesse um tablet enquanto estava na Amazónia, usei muito pouco, limitando ao mínimo o uso destes aparelhos. Não posso negar que senti falta de ter um telemóvel e publicar nas redes sociais, mas reduzir o tempo gasto em ecrãs permitiu-me uma conexão muito mais profunda com a natureza e as pessoas em meu redor. Embora eu tenha usado a câmara para documentar a minha experiência e fotografar a imensa flora e fauna da floresta amazónica. A fotografia faz parte da minha vida desde a infância, graças ao meu pai. Por isso, sempre serei grata a ele por introduzir essa paixão na minha vida. Apesar de o meu pai nunca ter trabalhado como fotógrafo profissional, ele é um entusiasta da fotografia, sempre fotografando e filmando viagens e eventos em família. Concluí que essa obcessão que ele tem por registar deve ser hereditária, já que não consigo imaginar o prazer de viajar sem fotografar, documentar o que vejo e criar algum tipo de arte, o que é totalmente discutível, já que a fotografia pode ter tantos significados e propósitos. Não acho que realmente importe se é arte ou não, mas o que significa para cada um de nós. Deixo a seguinte passagem do livro que estou a ler, "Jalan Jalan, Uma Leitura do Mundo", de Afonso Cruz (que além de escritor é, tal como eu e o meu pai, um entusiasta da fotografia, do cinema e das viagens solitárias) acerca de alguns acidentes com pessoas que caíram enquanto tiravam fotos nas Cataratas do Niágara:

"Nem sempre as fotografias que tiramos sugam a paisagem com a vaidade, porque não é somente de vaidade que normalmente se trata, há buracos profundos numa atitude destas. Aparecer e ser testemunhado é fundamental para existir, para garantir uma assiduidade no mundo real e virtual, como quem pica o ponto e assim assegura uma presença no trabalho, mas devemos acrescentar que o cenário muda tudo, dá-nos alguma importância e dignidade, pisamo-la com a nossa cara, com um sorriso, deixamos pegadas. E, para isso, corremos riscos, os riscos necessários para garantir uma existência que vai além da rotina e da banalidade, que não é só trabalhar das nove às cinco e ir a reuniões de condomínios e desparasitar o gato, pelo contrário, é ter a certeza de que somos parte da grandiosidade do universo, é provar que temos importância, que não servimos para sermos pisados, e, se cairmos, será como a água das cataratas do Niágara".

E, a propósito, paz à alma de Juliana Marins (não a conheci, mas compartimos o privilégio de sermos ambas mulheres e mochileiras, e de termos o mesmo nome também). A muitas mais viagens por esses céus fora.

Las flores de CempasúchilNo Dia dos Mortos, as almas dos falecidos voltam para casa, para não se perderem nesta viagem, ...
11/11/2024

Las flores de Cempasúchil

No Dia dos Mortos, as almas dos falecidos voltam para casa, para não se perderem nesta viagem, os seus familiares deixam-lhes um caminho feito de flores de calêndula que os leva até as oferendas. A tradição mexicana diz que eles são guiados pelo cheiro das pétalas de Cempasúchil, flor cultivada no vale do México. A venda desta flor, que originalmente é laranja mas atualmente trabalhada com várias cores, também é uma tradição familiar, quando as famílias visitam os seus falecidos e comem com eles junto aos seus túmulos, no Dia dos Mortos.

Registo fotográfico sobre mulheres indígenas chiapanecas: persistências do fazer, artesãs e artesanatosEste ensaio faz u...
09/11/2024

Registo fotográfico sobre mulheres indígenas chiapanecas: persistências do fazer, artesãs e artesanatos

Este ensaio faz um registro fotográfico do quotidiano de mulheres indígenas chiapanecas, no México. Estes retratos procuram mostrar um pouco do seu dia-a-dia em San Cristobal de Las Casas, no Estado mexicano de Chiapas.

Enquanto caminhava pelo Mercado Viejo de São Cristóbal de las Casas, o que mais me despertou a curiosidade foi ver as persistências do "fazer". Enquanto na maioria das cidades as atividades artesanais têm vindo a desaparecer por conta dos processos de produção industriais, no capitalismo contemporâneo, noutras, o artesanato tem renovado o interesse de artesãos, em particular de mulheres indígenas chiapanecas artesãs, em preservar esse património enquanto um dos seus meios de subsistência e de afirmação das suas identidades. Nos mercados, bem como um pouco por todos os espaços públicos San Cristóbal de las Casas, podem encontrar-se autênticas peças de artesanato como expressões da cultura popular tradicional, como peças de roupa costuradas à mão e cestos, vendidos não apenas a turistas que adquirem essas peças tidas como exóticas, mas também entre a população local. As mulheres fazem quase sempre questão de exibir alguma peça artesanal, entre as quais a saia "nagua", elaborada com lã de borrego, como observei mais frequentemente. Para além de possibilitar a estas mulheres rurais e urbanas maior autonomia financeira e participação em atividades, a feitura do artesanato também contribui para aproximar diferentes grupos sociais, nas suas interações entre etnias e identidades no mundo globalizado.

O Dia dos Mortos é uma das comemorações mais importantes do México, um legado pré-hispânico e, portanto, símbolo naciona...
06/11/2024

O Dia dos Mortos é uma das comemorações mais importantes do México, um legado pré-hispânico e, portanto, símbolo nacional. Este evento, celebrado no feriado católico de Todos os Santos, nos dias 1 e 2 de novembro (sucedendo ao Halloween, celebração mais difundida nos Estados Unidos, mas também festejada no México, no dia 31 de outubro) transforma as paisagens dos seus pueblos com elementos decorativos representativos. Entre estes, incluem-se pão dos mortos, flor de calêndula, água, sal, incensos, retratos de defuntos e, com mais destaque, a figura feminina da Catrina, inicialmente satirizada como "La Calavera Garbancera", em referência crítica aos mexicanos e mexicanas que ocultavam as suas origens indígenas ou posição social, vestindo-se ao estilo das classes altas europeias ou mestiças. Hoje a Catrina converteu-se em símbolo da morte e ícone da cultura mexicana no Dia dos Mortos.

Foto-retratos de mascarados durante as comemorações do Dia dos Mortos. San Cristóbal de las Casas, México.Entre nosotros...
04/11/2024

Foto-retratos de mascarados durante as comemorações do Dia dos Mortos. San Cristóbal de las Casas, México.

Entre nosotros la fiesta es una explosión, un estallido. Muerte y vida, júbilo y lamento, canto y aullido se alían en nuestros festejos, no para recrearse o reconocerse, sino para entredevorarse. No hay nada más alegre que una fiesta mexicana, pero también no hay nada más triste. Octavio Paz

Classificada como Património da Humanidade, o Dia dos Mortos, é uma festividade pré-hispanica muito popular no México. Na visão indígena, este dia simboliza o retorno temporário das almas dos falecidos, que voltam para casa, para o mundo dos vivos, para conviver com os familiares e nutrir-se com os alimentos que lhes são oferecidos nos altares, em sua homenagem. Hoje esta festividade reflete a idiossincrasia do México, onde tradições pré-hispanicas e espanholas enriquecem a diversidade étnica e cultural do povo mexicano.


23/08/2024
Vidas mais que humanas em ambientes humanizados Mesmo em lugares altamente humanizados como os centros urbanos, podemos ...
06/06/2024

Vidas mais que humanas em ambientes humanizados

Mesmo em lugares altamente humanizados como os centros urbanos, podemos contemplar a natureza que nos rodeia, (re)conectar, cuidar e interagir com outros mundos mais que humanos. Como falar em nome da natureza, pelo equilíbrio dos ecossistemas e das vidas não-humanas? Pelas árvores, rios, mares e pedras? As naturezas urbanas podem tornar-se visíveis de várias formas no nosso dia-a-dia na interação com a natureza em diferentes momentos e em experiências partilhadas através dos sentidos e da reflexão para questionar que perspectivas da natureza poderão surgir (Living The More Than Human City; Edwards, Popartan e Pettersen, 2023)

Uma etnografia visual sobre as sociabilidades na praia do Cristo, Ilhéus, Bahia. A cada fim de semana, a Praia do Cristo...
03/06/2024

Uma etnografia visual sobre as sociabilidades na praia do Cristo, Ilhéus, Bahia.

A cada fim de semana, a Praia do Cristo é um dos espaços de lazer entre os Ilhéenses, sobretudo entre os jovens das camadas de baixa renda que vivem no entorno urbano da cidade. Aqui nunca falta comida, a bateria eletrónica e a música funk, elementos simbólicos que se fazem sempre presentes neste espaço de interações, na Bahia urbana contemporânea.


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