01/08/2026
Escrever sobre ansiedade não é fácil. Durante muito tempo, eu tentei esconder o que sentia. Sorri quando queria chorar, trabalhei quando meu corpo implorava por descanso e repeti para mim mesmo que "ia passar". Mas chegou um momento em que eu precisei admitir que eu não estava bem.
A ansiedade não é falta de força. Ela não é drama, preguiça ou desculpa. É acordar cansado antes mesmo de começar o dia. É sentir o coração acelerar sem motivo aparente. É carregar um peso invisível que poucas pessoas conseguem enxergar.
Nos últimos tempos, precisei desacelerar. Aceitar um afastamento foi uma das decisões mais difíceis que já tomei, porque sempre acreditei que precisava dar conta de tudo. Hoje entendo que cuidar da minha saúde também é uma responsabilidade.
Ainda existem dias em que sinto medo, dúvidas e inseguranças. Questiono meu futuro, minha carreira e se estou no caminho certo. Mas, ao mesmo tempo, estou aprendendo que não preciso ter todas as respostas agora. Posso reconstruir minha vida um passo de cada vez.
Também aprendi algo importante: nem todas as pessoas vão entender a minha dor. Algumas vão se afastar, outras vão permanecer em silêncio. E tudo bem. A ansiedade me ensinou a valorizar quem escolhe estar presente, mesmo sem saber exatamente o que dizer.
Esta carta não é um pedido de pena. É um pedido de compreensão. E, acima de tudo, é um compromisso comigo mesmo: o compromisso de escolher minha saúde, respeitar meus limites e acreditar que dias melhores existem, mesmo quando eu ainda não consigo enxergá-los.
Se você também enfrenta a ansiedade, saiba que não está sozinho. Pedir ajuda é um ato de coragem. Descansar não é desistir. Recomeçar não é fracassar.
Eu continuo aqui. Mais humano, mais consciente e, aos poucos, mais forte.
Com esperança,
Rodrigo Bueno