16/10/2022
Acompanhei a jornalista Vilma Reis numa série de reportagens para a revista Coimbra Coolectiva sobre as diferentes práticas religiosas que existem em Coimbra. Porquê? Porque estão escondidas. Não por medo, não por vergonha, mas porque é mais um lado desta cidade que não se conhece. Um lado B que queríamos desvendar.
Cheguei ao Bairro Santa Apolónia, em Eiras, e a morada apontava para uma zona residencial. Verifiquei o endereço de novo: ‘’Cave 201’’. Comecei a procurar mas foi numa espécie de garagem que encontrámos a Mesquita de Coimbra. O enorme sorriso de Mamadou Saidou Diallo fez-me despir de qualquer expectativa. À entrada, tive que me descalçar e foi estranha a sensação de tocar com os pés nus no chão de mosaico frio. Não estava na minha casa. Pouco depois entra um rapaz que vinha para o culto da tarde. Fotografei-o a descalçar-se e dirigir-se às torneiras que estavam mesmo à entrada para começar a lavar, com rigor, cada centímetro de pele exposta. Mamadou explicou que o mínimo que se pode oferecer a Alá é a nossa limpeza, a nossa pureza. Aqui começaram a quebrar-se todas as barreiras invisíveis, toda as minhas ideias pré-concebidas. Fiquei exposto a algo que era transcendente a ao Ser Humano - O poder de nos entregarmos a algo ou a "outro" de corpo e alma.
Entrámos na sala e, à minha direita, estava uma zona delimitada por cortinas, de onde saíam uns olhos atentos e curiosos de uma menina, que assim que bateram nos meus, fugiu. Aquela zona era reservada apenas a mulheres e meninas porque, durante a reza, não deve have contacto com os do s**o masculino. Pedi a uns rapazes que brincavam para lhes tirar uma fotografia e, apesar de terem estranhado inicialmente, depois ajeitaram-se para o retrato.
Depois de conhecermos a Mesquita, a mesma menina curiosa veio ter comigo e perguntou quem éramos. Liguei a câmara, debrucei-me e fui-lhe mostrando as imagens enquanto explicava quem éramos e o nosso objetivo em ali estar. Ela sorriu, desapareceu e voltou com as mãos cheias de outras amigas e pediu-me para a fotografar com o grupo. Depois de muitos risos e cliques, foram as despedidas.
Canon Portugal