04/03/2020
Quando o ninho esvazia tem madrugada acordada com um turbilhão de pensamentos. Tem privação de sono como nos tempos dos filhos bebês. Mas agora, ao invés de chorarmos por quereremos dormir mais, choramos de saudade deles ainda pequeninos nos braços. Quando o ninho esvazia tem questionamento. Rebeldia com o tempo que não perdoa. Tem saudosismo que faz morada e parece que nunca mais vai embora. Tem espaço vazio que cisma em querer ser preenchido.
Quando o ninho esvazia nasce revolta por despedidas. Afinal, eles voltam, mas logo vão embora de novo.
Quando o ninho esvazia não tem mais aqueles detalhes que aos olhos dos outros parecem bobos, mas que pra gente signif**am o mundo. Quando o ninho f**a vazio falta. A conversa deitados no sofá. Os olhares se cruzando na cozinha e os abraços nas horas mais inesperadas.
Quando o ninho esvazia, junto com os filhos, vai embora uma parte da identidade do nosso lar. Vai o tom de voz, as brincadeiras, as manias. Vão-se qualidades e dificuldades singulares. Vai embora presença diária. Parte junto com eles, porta a fora, uma fase especial das nossas vidas.
Quando o ninho esvazia dói. Por isso é importante se deixar chover. Mas é também essencial a gente se amar, se conhecer. É primordial estarmos conectadas com a nossa essência. Com o que nos faz bem. É fundamental termos vida e relações com bases sólidas para além da maternidade. É ouro termos projetos, planos. Sonhos.
Só assim não iremos tentar preencher um vazio que jamais deve ser preenchido, e sim vivido. Só assim o saudosismo vai, pouco a pouco, se despedindo e abrindo portas e janelas para uma nova, e porque não maravilhosa, fase das nossas vidas.
Texto:
Autora dos livros: Mãe Fora da Caixa e Mãe recém-nascida
Virou peça:
Foto de uma amiga (com o filho) que não é filha, eu sei, mas que mudou e deixou meu ninho bem vazio por aqui.
Para conhecer meus livros👇🏼
https://escritorathaisvilarinho.com