25/06/2025
Revisitando algumas fotos de uma viagem em Yucatán, México, alguns anos atrás. Faz tempo que não escrevo nem partilho notas mais pessoais. Também não tenho sido consistente nas redes sociais. Sou desconectada por natureza, mas enfrentei alguns problemas técnicos durante a minha jornada pela América do Sul. Primeiro, o carregador do meu computador não estava a funcionar e, mais tarde, o ecrã do meu telemóvel partiu-se (apenas um dia antes da minha viagem à Amazónia peruana, onde fiz trabalho voluntário por algumas semanas num alojamento ecológico com eletricidade e internet limitadas), por isso não consegui transferir as minhas fotos e vÃdeos para o computador ou telemóvel. Embora eu tivesse um tablet enquanto estava na Amazónia, usei muito pouco, limitando ao mÃnimo o uso destes aparelhos. Não posso negar que senti falta de ter um telemóvel e publicar nas redes sociais, mas reduzir o tempo gasto em ecrãs permitiu-me uma conexão muito mais profunda com a natureza e as pessoas em meu redor. Embora eu tenha usado a câmara para documentar a minha experiência e fotografar a imensa flora e fauna da floresta amazónica. A fotografia faz parte da minha vida desde a infância, graças ao meu pai. Por isso, sempre serei grata a ele por introduzir essa paixão na minha vida. Apesar de o meu pai nunca ter trabalhado como fotógrafo profissional, ele é um entusiasta da fotografia, sempre fotografando e filmando viagens e eventos em famÃlia. Concluà que essa obcessão que ele tem por registar deve ser hereditária, já que não consigo imaginar o prazer de viajar sem fotografar, documentar o que vejo e criar algum tipo de arte, o que é totalmente discutÃvel, já que a fotografia pode ter tantos significados e propósitos. Não acho que realmente importe se é arte ou não, mas o que significa para cada um de nós. Deixo a seguinte passagem do livro que estou a ler, "Jalan Jalan, Uma Leitura do Mundo", de Afonso Cruz (que além de escritor é, tal como eu e o meu pai, um entusiasta da fotografia, do cinema e das viagens solitárias) acerca de alguns acidentes com pessoas que caÃram enquanto tiravam fotos nas Cataratas do Niágara:
"Nem sempre as fotografias que tiramos sugam a paisagem com a vaidade, porque não é somente de vaidade que normalmente se trata, há buracos profundos numa atitude destas. Aparecer e ser testemunhado é fundamental para existir, para garantir uma assiduidade no mundo real e virtual, como quem pica o ponto e assim assegura uma presença no trabalho, mas devemos acrescentar que o cenário muda tudo, dá-nos alguma importância e dignidade, pisamo-la com a nossa cara, com um sorriso, deixamos pegadas. E, para isso, corremos riscos, os riscos necessários para garantir uma existência que vai além da rotina e da banalidade, que não é só trabalhar das nove à s cinco e ir a reuniões de condomÃnios e desparasitar o gato, pelo contrário, é ter a certeza de que somos parte da grandiosidade do universo, é provar que temos importância, que não servimos para sermos pisados, e, se cairmos, será como a água das cataratas do Niágara".
E, a propósito, paz à alma de Juliana Marins (não a conheci, mas compartimos o privilégio de sermos ambas mulheres e mochileiras, e de termos o mesmo nome também). A muitas mais viagens por esses céus fora.