12/12/2025
Ilé
O gesto de criar um ilé dentro de outro ilé cria um microterritório de recolhimento espiritual, memória e proteção ancestral. A barraca funciona como um espaço limite onde o material e o imaterial se encontram.
O canto é uma zona liminar, nem centro nem margem, mas uma zona de passagem muitas vezes inviabilizado. No simbolismo afro-diaspórico, espaços de fronteira tem grande potência: são portais, encruzilhadas, lugares de conexão com o ancestral. A instalação transforma o canto em um ponto de encontro com aquilo que está atrás, acima, ao lado, com os caminhos múltiplos que o candomblé reconhece como parte da vida.
A fricção entre uma barraca e um espaço moderno espelha a fricção histórica entre saberes afro-atlânticos e a ordem colonial que tentou deslegitima-los. A instalação afirma: a ancestralidade ocupa a sala. Ela se instala, se arma, se afirma. Não pede permissão, ela lembra!
O símbolo akan o sankofa significa “volte e pegue o que ficou para trás" assim a barraca vira um dispositivo de retorno: um útero ancestral, um quarto de memórias reconstruídas, um lugar onde as histórias silenciadas podem ser retomadas.
Pena de urubu: morte, transformação e limpeza profunda
Aqui se opera transformação. Aqui o que estava morto ganha outro destino.
Em conjunto com Sankofa, vira uma metáfora do passado que deve ser digerido para que a vida siga.
Asa de galo: luta, comunicação e vitalidade
A asa de galo é o grito que rompe o silêncio, o aviso de que algo desperta no espaço oculto.
Ossos de cavalo: força ancestral e memória do trabalho
O osso é a lembrança do corpo e a materialização da ancestralidade. É o resto que insiste, que não apaga.
Carranca: guardiã das margens
É o vigia da instalação, o guardião do axé.