18/08/2022
O ANTIGO RIO IGUAÇU É HOJE O RIO COMPRIDO.
No tempo em que o abastecimento de água era feito por meio de bicas e chafarizes públicos, o rio que dá nome ao bairro cumpriu função importante para a cidade. Chamado de Iguaçu durante o período colonial, tinha a foz localizada na confluência das avenidas Francisco Bicalho e Presidente Vargas, onde chegava um braço da Baía de Guanabara chamado de S**o de São Diogo ou Enseada de São Cristóvão, que se estendia, na forma de manguezal, até as franjas do Campo de Santana. Junto com os rios Joana, Maracanã, Trapicheiros e Catumbi, que também desaguavam naquela área, integrava o estuário de São Diogo.
Ainda na primeira metade do século XVII, foi construída, na foz do Iguaçu, uma bica, utilizada, principalmente, para o abastecimento de embarcações que ali chegavam adentrando a enseada – daí o nome de Bica dos Marinheiros. Em 2008, pesquisadores do setor do Patrimônio Histórico do município descobriram, na Rua Conde de Oliveira, no alto do Rio Comprido, próximo à Lagoinha, escombros de um aqueduto construído na primeira metade do século XIX.
Sabe-se que esse aqueduto fazia parte do sistema de expansão de abastecimento de água, chamado de “Encanamento do Maracanã”, implantado logo após a chegada da família real. Segundo informações do setor de Patrimônio Histórico do município, foi o mais importante sistema de captação e distribuição de água potável do Rio de Janeiro durante o século XIX.
Na foz do rio, também havia uma cancela posta pelos jesuítas para demarcar o início de suas terras – elas iam até a Usina e chegavam ao Engenho Novo. A sesmaria do Iguaçu – que se transformaria, séculos depois, em parte do bairro do Rio Comprido – foi doada por eles ao segundo bispo da cidade, Frei Francisco de São Jerônimo, que, em 1702, ergueu ali uma bela residência de campo e instalou o Colégio Episcopal de São Pedro de Alcântara. Mas, segundo Brasil Gérson, em seu livro Ruas do Rio, foi a partir do bispado de Frei Antônio do Desterro (1745-1773), quando a região já estava mais povoada, que a chamada “Chácara do Bispo” tornou-se famosa, ou a mais notável entre todas as demais. A presença das figuras eclesiais marcou tanto a história do bairro que uma de suas ruas mais importantes, aberta em 1844, foi batizada de Rua do Bispo. A casa de campo episcopal, que existe até hoje, não f**a, contudo, ali localizada, e sim na Paulo de Frontin, via inaugurada em 1919 com o nome de Avenida Rio Comprido.
Como vários outros bairros do Rio de Janeiro, a ocupação e o adensamento populacional do Rio Comprido se incrementaram com a chegada da família real. A região foi beneficiada com várias obras e medidas implementadas pelo príncipe regente D. João, entre elas o aterro do Mangue de São Diogo, que visava melhorar a chegada à Quinta da Boa Vista e desenvolver a região no entorno.
Nesse período, estabeleceu-se no Rio Comprido parte daqueles que chegaram com a família real, ou que vieram para o Rio de Janeiro em função das novas oportunidades geradas pela abertura dos portos. Entre eles, vários ingleses e alemães. Muitos nobres também lá se instalaram em chácaras e casarões. Na Rua Bela Vista (atual Barão de Itapagipe), por exemplo, morava não só o fidalgo que, depois de morto, emprestou seu nome ao logradouro, mas também os condes de Sucena e de Bonfim.
No bairro, ainda residiram os viscondes do Rio Comprido e de Estrela, além de funcionários públicos, profissionais liberais e militares de destaque, como o médico da Princesa Isabel, Manoel Pimentel, o vereador e membro da Academia Imperial de Medicina, Roberto Jorge Haddock Lobo, o marechal Floriano Peixoto e o jurista e jornalista republicano Aristides Lobo.
Com a chegada do bonde, em 1870, a população do Rio Comprido aumentou. O acesso ao bairro melhorou ainda mais com a modernização da região portuária e o aterro do S**o de São Diogo, que culminou com a inauguração da Avenida Francisco Bicalho, na primeira década do século XX. O adensamento também trouxe problemas urbanos. Antigos casarões começaram a se transformar em cortiços e o esgoto das moradias mais precárias corria a céu aberto. Além disso, o rio passou a sofrer transbordamentos constantes.
Esse cenário melhorou em 1919, quando o então prefeito Paulo de Frontin retificou o leito do rio (que passava pela Rua Aristides Lobo), canalizou-o e construiu, em suas margens, um boulevard arborizado (que hoje carrega o seu nome).
DESCORTINANDO O RIO
Siga nossa página!
Via: Multirio - Márcia Pimentel.