06/08/2026
Esses dias encontrei uma locadora de DVDs ainda funcionando e publiquei uma foto nos stories.
A quantidade de pessoas que respondeu me chamou a atenção. Vieram lembranças, histórias e uma espécie de surpresa coletiva por aquele lugar ainda existir.
Não acho que todo mundo queira voltar a alugar filmes. O que tocou as pessoas foi outra coisa: a lembrança de uma experiência mais física, mais lenta e mais ritualizada.
Em seguida eu assisti um vídeo da LU FERREIRA no youtube onde ela mostrava o favorito do mês da filha dela : um mp3 player daqueles com visual bem anos 2000, sem tela inteligente.
Logo me lembrei da minha alegria em usar meu walkman, depois meu discman e depois meu ipod. Lamentei de verdade quando a apple descontinuou aquele menorzinho sem tela🥹.
O Streaming nos deu tudo na hora, mas tirou a estante de DVDs…
Smartphone nos deu milhares de fotografias, mas tirou a expectativa de revelar uma foto.
E-commerce nos deu conveniência, mas tirou parte do ritual de procurar.
Algoritmos nos deram infinitas opções, e tiraram um pouco do acaso. Um pouco da escolha pessoal, um pouco do gosto individual.
Nós ganhamos acesso, velocidade e conveniência. Mas, no processo, algumas coisas desapareceram: escolher um filme olhando as capas, esperar as fotografias serem reveladas, montar uma coleção, guardar objetos que contavam parte da nossa história.
Talvez seja por isso que o vintage tenha voltado com tanta força. Não necessariamente porque o passado era melhor, mas porque ele parecia mais tangível.
Talvez uma das emoções mais poderosas do futuro esteja justamente naquilo que pensamos ter perdido.
Para as marcas, existe uma leitura importante nisso: nostalgia não é simplesmente colocar uma fonte retrô ou uma textura de filme na campanha. É compreender quais memórias, rituais e emoções ainda têm valor para as pessoas.
O passado não volta igual. Ele retorna reinterpretado pelo desejo do presente.