15/07/2026
O Diagnóstico, Crise e novos rumos do Hospital São Paulo.
O futuro do Hospital São Paulo, em Lagoa Vermelha, foi tema de um debate conduzido pelo novo diretor-superintendente, Sérgio Lunardi, que apresentou um diagnóstico alarmante sobre a situação financeira e administrativa da instituição. O hospital enfrenta um déficit operacional médio estimado em R$ 400 mil por mês, projetando um rombo de quase R$ 4 milhões até o fim de 2026 caso o cenário atual não seja revertido. Até o final de maio de 2026, os compromissos atrasados somavam cerca de R$ 2,378 milhões, refletindo-se em severas dificuldades para honrar o pagamento integral de médicos e prestadores de serviços. Diante disso, Lunardi alertou que, se nada for alterado, a instituição corre o risco de fechar as portas em seis meses, resumindo a raiz do problema em uma única palavra: gestão.
Desequilíbrio Financeiro e Modelo de Negócios
Um dos fatores críticos para o endividamento é o atual modelo econômico. Cerca de 90% dos atendimentos são vinculados ao SUS, enquanto a participação de convênios e atendimentos particulares é muito baixa na receita.
Lunardi apontou uma distorção grave: "O que dá receita, nós terceirizamos. O atendimento gratuito, nós puxamos para nós."
O exemplo das tomografias: O hospital recebe cerca de R$ 22 mil mensais na contratualização para realizar os exames, mas os custos reais do serviço giram em torno de R$ 59 mil por mês.
Para reverter essa lógica, a nova gestão planeja revisar contratos, cortar custos, buscar novas fontes de receita, estudar a criação de uma estrutura própria de diagnóstico e ampliar a fatia de atendimentos particulares e de convênios.
Suspensão Temporária do Projeto de Hemodiálise
Sobre o aguardado serviço de hemodiálise, a direção esclareceu que não houve cancelamento, mas sim uma suspensão por 90 dias de todos os investimentos e procedimentos relacionados. O objetivo é realizar um estudo técnico e financeiro aprofundado para avaliar a viabilidade de manutenção futura do serviço, o que inclui custos operacionais, necessidade de profissionais especializados e suporte hospitalar adequado. O superintendente frisou a necessidade de responsabilidade para evitar novas perdas financeiras, citando de forma prática: "Não adianta eu receber R$ 200 mil por mês e o serviço custar R$ 250 mil. Eu vou repetir o mesmo erro".
Nova Estrutura Institucional e Transição
Para garantir o futuro do Hospital São Paulo a longo prazo, Lunardi propõe a criação de uma nova estrutura institucional própria e diretamente ligada à comunidade de Lagoa Vermelha.
Associação Hospitalar Beneficente: A intenção é constituir uma associação com CNPJ próprio, Conselho Fiscal, Conselho Deliberativo e a participação ativa de empresários, entidades de classe e da sociedade.
Desvinculação: Esse plano prevê uma transição amigável, responsável e estritamente legal para reorganizar a atual relação institucional com a Fundação Araucária.
Foco Comunitário: O diretor enfatizou que o projeto não visa entregar o hospital para a Prefeitura, para a Câmara de Vereadores ou para qualquer grupo político, mas sim devolvê-lo legitimamente à população lagoense, sob os pilares da união, transparência e participação coletiva.
Fonte: Resumo /NG Revista, com informações apresentadas pela direção do hospital em reunião com vereadores e imprensa.