02/09/2017
Eu não nasci homem.
Não tenho uma foto de bebê vestindo uma camisa de time nem ganhei uma bola de futebol antes de aprender a andar.
Eu não nasci homem.
Não presumam que eu goste de futebol e nem aceitam quando digo que entendo de futebol.
Eu não nasci homem.
Não sou o público alvo das campanhas publicitárias do meu time e nem tenho muitas opções de camisa à minha disposição.
Eu não nasci homem.
Não pertenço ao estádio e nem sou respeitada da mesma forma que um homem é estando ali, pelo contrário, sou assediada de todas as maneiras possíveis pelo atrevimento de estar em um lugar que dizem não ser o meu.
Porque eu nasci mulher.
Sou tratada como exceção por gostar de futebol.
Sou tratada como enfeite pela mídia, por "embelezar" o estádio.
Sou tratada como objeto pelos meus próprios colegas torcedores.
Sou tratada como insignificante pela diretoria do meu time.
E sou tratada como extremista por levantar essas questões.
Eu nasci mulher e a minha luta é diária.
Meu lugar é em casa, meu lugar é no bar, meu lugar é lavando louça, meu lugar é presidindo empresas, meu lugar é dando aulas, meu lugar é construindo prédios, meu lugar é tendo filhos, meu lugar é viajando sozinha, meu lugar é na política, meu lugar é no esporte.
Mas, principalmente, meu lugar é no estádio.
Porque eu não nasci homem, mas nasci Galo!
Texto: Bebel Diniz
Foto: Gabriel Castro