Mais que um homem com uma câmera, o olhar que existe entre os dois é o pincel a qual o fotógrafo Ricardo Cruz pinta a arte mais bela e realista a representar a humanidade e a sua natureza: A fotografia. De olhar fino e delicado, é revolucionário ao ser diferente o olhar do fotógrafo, que se expressa anarquista embora preso somente às ordens da espontaneidade da vida em sua naturalidade. Jogado ao
chão, em cima de uma cadeira ou de uma mesa, atravessando uma ponte, sob(re) uma escada, por detrás de janelas, até pendurado em uma árvore, entre outras posições, sob o sol forte, sob a chuva, sobre a água, sob a fumaça dos carros, não importa a pose das hastes corporais nem seus malabarismos circenses, o corpo do fotógrafo é um povo submisso à ditadura do seu olhar minucioso que busca a beleza com o poder de suas íris, estas que são comandadas pela relação empírica de todos os construtos passados e adquiridos do intelecto do fotógrafo com a cena e o clima local, a depender do momento pessoal os quais o capturado entre as molduras fotográficas e o capturador destas mostram-se confortáveis no presente, além da relação de empatia entre ambos e com a natureza do ambiente, para ser retratada com a fineza da poética refém do espetáculo que é o construto da arte. E isso que difere Rick – como é chamado pelos próximos – de outros fotógrafos. Ele é capaz de perceber a beleza sublime em meio ao caos e enxergar a tempestade conflituosa em um "momento de felicidade", não como um espião ou um detetive investigativo, não como um simples alguém que tira fotos de momentos felizes com amigos ou uma selfie, mas como um poeta ou um pintor que não simplesmente enxerga, mas sente e compreende o belo dos sentidos e os retrata em palavras ou em desenhos. O belo, para explicar, não é somente algo bonito de se ver, pois também é o feio, é o irônico, é o engraçado, é o divino, é o doce, mas também é o amargo e o azedo. O belo é o que encanta e o que se faz interessante e intrigante ao gosto dos sentidos para uma boa digestão de reflexão. E nessa sintomatologia que define o fotógrafo como um artista ímpar que decreto.