16/08/2026
DIOCESE DE ONDJIVA.
SANGUE DOS MÁRTIRES E VOZ DE ALERTA: DOM GERMANO PENEMOTE EXIGE JUSTIÇA, ESTRADAS SEGURAS E FIM DA GANÂNCIA EM ONDJIVA.
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Fotos: Crisandro Ileni
Registo sonoro: Ismael Paulo
Texto: Anselmo Leite, Ecclésia de Ondjiva.
A peregrinação anual ao local sagrado de Ondjiva (Santuário Nossa Senhora da Assunção - Eko) encerrou-se, neste Domingo, 16 de Agosto com a reunião de centenas de fiéis, sacerdotes, religiosas e religiosos em memória do Padre Leonardo Sikufinde, da Irmã Luzia Cautudja e dos seus companheiros, assassinados há quatro décadas em pleno serviço missionário.
A solene celebração eucarística foi presidida pelo Núncio Apostólico no Paquistão, Dom Germano Penemote, e contou com a presença do Bispo da Diocese de Ondjiva, Dom Pio Hipunyati.
Na sua homilia, o representante pontifício articulou a reflexão teológica sobre o sacrifício dos mártires com apelos directos à organização social, à justiça e à coesão nacional em Angola. Inspirando-se na passagem evangélica do grão de trigo e nas célebres palavras de Tertuliano de que o sangue dos mártires é a semente dos cristãos, Dom Germano Penemote enalteceu as obras de misericórdia e a dedicação caritativa dos missionários que entregaram a vida a fazer o bem. Dom Germano assinalou que, apesar de ainda persistir uma sombra de reticência quanto à autoria e às razões das mortes ali ocorridas, a comunidade deve manter a sua confiança inabalável em Deus.
Fundamentando-se nas leituras da liturgia, que incluíram o diálogo de Jesus com a mulher cananeia e passagens dos livros de Isaías e da epístola aos Romanos, o celebrante sublinhou que a salvação divina é universal e ultrapassa qualquer configuração social ou religiosa. Explicou que a reação inicial de Cristo à mulher cananeia não constituiu um acto de exclusão, mas sim um critério de prioridade no anúncio da Palavra.
A atitude dessa mulher humilde, que perseverou com fé insistente em vez de desistir perante a provação, foi apontada como um modelo essencial para a sociedade contemporânea. Traçando um paralelo com esse ensinamento evangélico, Dom Germano Penemote defendeu a urgência de colocar primeiro a nossa casa e a nossa Pátria em ordem, instando a sociedade a organizar-se, a aprofundar a fé e a acautelar-se contra seitas que promovem a divisão nas famílias.
O Bispo pediu igualmente a moralização direita do sistema de justiça, da economia e da gestão dos recursos naturais do país, e lançou uma dura crítica ao estado das infraestruturas nacionais, alertando para o facto de que, embora a guerra das armas tenha terminado, as famílias angolanas continuam a chorar a perda de entes queridos devido às más condições das estradas.
A mensagem do Núncio Apostólico condenou categoricamente qualquer forma de discriminação e a atitude daqueles que monopolizam o bem comum como se de propriedade privada se tratasse.
Antecipando tempos de conversão e o fim dos falsos profetas apegados ao dinheiro e à intriga, exortou os fiéis a nunca rejeitarem quem pede auxílio.
Recordando as palavras de Santa Teresa do Menino Jesus e as orientações recentes do Papa Leão XIV sobre a oração, Dom Germano Penemote concluiu a celebração pedindo perseverança, solidariedade na caridade e firmeza na esperança para que o povo angolano consiga superar as crises morais, espirituais e económicas que afectam as famílias.
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